Atualizado em 26 de setembro de 2026
A taxa de embarque é a tarifa que cada passageiro paga pelo uso do terminal, e o valor vai para o administrador do aeroporto, não para a companhia aérea. Em setembro de 2026, ela custa R$ 35,75 num voo doméstico saindo de Guarulhos e continua sendo cobrada em reais mesmo na passagem emitida com milhas.
Se você já montou uma viagem inteira com milhas e levou um susto na última tela do resgate, foi essa tarifa que apareceu. A surpresa é comum entre quem está começando, porque a ideia de “passagem grátis” esconde que as milhas pagam apenas o serviço da companhia aérea. O aeroporto continua cobrando a parte dele em dinheiro.
O valor parece pequeno quando você olha para um passageiro só, mas ele se multiplica rápido. Uma família de quatro pessoas que vai de São Paulo a Salvador e volta paga R$ 365,48 só de tarifas de embarque, mesmo com todas as passagens emitidas com pontos. São R$ 143,00 na saída de Guarulhos e R$ 222,48 na volta, pelos tetos de setembro de 2026.
Neste guia você vai entender quem define essa cobrança, quanto ela custa nos principais aeroportos em 2026 e por que as milhas não a cobrem. Também vai ver quem fica isento, como pedir a devolução quando a viagem não acontece e como descontar a taxa ao calcular se um resgate compensa.
Neste artigo
- O que é a taxa de embarque e quem define o valor
- Quanto custa a taxa de embarque em 2026
- Por que a passagem com milhas cobra taxa de embarque
- Como a taxa de embarque entra na conta do milheiro
- Taxa de embarque em conexões e voos internacionais
- Quem não paga taxa de embarque
- A taxa de embarque é devolvida se eu não viajar?
- Perguntas frequentes sobre taxa de embarque
- O que fazer antes da sua próxima emissão
O que é a taxa de embarque e quem define o valor
A taxa de embarque, que a regulação chama de tarifa de embarque, remunera o uso das instalações de passageiros do aeroporto, do saguão à sala de embarque. Ela é a única tarifa aeroportuária cobrada diretamente do passageiro. Pouso, permanência de aeronaves, conexão e armazenagem de carga são pagos pelas companhias aéreas e pelos donos das cargas.
A base legal é a Lei 6.009, de 1973, reescrita pela Lei 14.368, de 2022, publicada no Planalto. Ela entrega à autoridade de aviação civil, a Anac, a competência de estabelecer o regime tarifário dos aeroportos. Nos terminais concedidos à iniciativa privada, a Anac fixa um teto para cada tarifa e o reajusta uma vez por ano. O cálculo usa a variação do IPCA e fatores previstos em cada contrato de concessão.
Esse desenho explica por que o valor muda de um aeroporto para outro e de um ano para o outro. Em Guarulhos, o teto doméstico passou de R$ 33,64 para R$ 35,75 no reajuste publicado em julho de 2026, uma alta de R$ 2,11 por passageiro em cada embarque. A concessionária só pode começar a cobrar o novo valor 30 dias depois de comunicar a mudança ao público.
O ponto que costuma passar despercebido é que o valor cobrado é o que aparece na tela no dia em que você fecha a emissão. Quem pesquisa em julho e só fecha a emissão em setembro pode ver outro valor na tela final, se o reajuste do aeroporto de origem entrou em vigor nesse meio tempo. Multiplicada por vários passageiros, essa diferença muda o total da viagem.
Na prática, o que eu vejo com mais frequência é gente tratando a taxa de embarque como cobrança do programa de milhas e reclamando com ele. Só que ela é uma tarifa regulada, com teto público e destino certo. Minha orientação é olhar para ela como um custo fixo de qualquer viagem aérea, presente tanto na passagem paga em dinheiro quanto na emitida com pontos. Coloque esse valor no orçamento desde a primeira pesquisa.
Quanto custa a taxa de embarque em 2026
Em setembro de 2026, a taxa de embarque doméstica custa de R$ 33,44 a R$ 55,62 por passageiro nos três aeroportos da tabela abaixo. A internacional vai de R$ 59,17 a R$ 87,62 nesses mesmos terminais. Os valores são os tetos reajustados pela Anac neste ano, conforme a tabela de tarifas publicada pela GRU Airport e a cobertura da imprensa sobre cada reajuste.
| Aeroporto | Tarifa doméstica | Tarifa internacional | Referência do reajuste |
|---|---|---|---|
| Guarulhos (SP) | R$ 35,75 | R$ 68,61 | Teto publicado em julho de 2026, cobrado a partir de 11 de agosto de 2026 |
| Viracopos (Campinas, SP) | R$ 33,44 | R$ 59,17 | Teto publicado em julho de 2026 |
| Salvador (BA) | R$ 55,62 | R$ 87,62 | Teto publicado no fim de agosto de 2026 |
O reajuste de Salvador foi noticiado na reportagem do Poder360 sobre as novas tarifas de Salvador e Florianópolis. Ele seguiu a mesma lógica dos demais terminais, com a inflação medida entre junho de 2025 e junho de 2026 somada aos fatores do contrato. Como cada concessão tem data própria de reajuste, a tabela de um aeroporto pode mudar em maio, a de outro em julho e a de um terceiro em setembro.
Veja o efeito numa simulação simples, com os tetos de setembro de 2026. Um casal que sai de Guarulhos para Salvador paga R$ 71,50 de tarifa na ida e R$ 111,24 na volta, o que dá R$ 182,74 no total. Saindo de Viracopos, a ida custaria R$ 66,88, e a economia de R$ 4,62 dificilmente cobre o deslocamento extra até Campinas para quem mora na capital paulista.
O custo que muita gente esquece é o da volta, porque a tarifa cobrada no retorno é a do aeroporto onde você embarca de novo. Ela pode ser bem maior do que a da saída, como mostra o caso de Salvador. Os números da tabela também são tetos, ou seja, a concessionária pode cobrar menos, mas nunca mais, e o valor exato sempre aparece discriminado no fechamento da compra.
Se fosse comigo, eu não escolheria aeroporto por causa da taxa de embarque, porque a diferença entre terminais da mesma região costuma ficar em poucos reais por pessoa. Táxi, estacionamento ou ônibus até o aeroporto pesam muito mais no bolso. A taxa merece atenção quando você compara destinos diferentes, já que a tarifa de volta de um aeroporto mais caro pode somar dezenas de reais numa família.
Por que a passagem com milhas cobra taxa de embarque
As milhas pagam a companhia aérea, e a taxa de embarque pertence ao aeroporto, por isso ela continua sendo cobrada em dinheiro no resgate. Pela Resolução 400 da Anac, de 2016, o preço de qualquer passagem soma o serviço de transporte, as tarifas aeroportuárias e os valores devidos a governos. O programa de fidelidade só consegue trocar pontos pela primeira dessas partes.

Quando você compra em dinheiro, as três partes chegam somadas num único total, e a taxa fica invisível. Na emissão com milhas, o programa separa a parte da companhia, que vira pontos, da parte do aeroporto e do governo, que segue em reais para o cartão. É nesse momento que a cobrança aparece pela primeira vez para muita gente.
Pense numa emissão doméstica de 10 mil milhas saindo de Guarulhos em setembro de 2026. O saldo cobre a tarifa aérea, e você ainda paga R$ 35,75 no cartão por passageiro, valor que chega a R$ 143,00 numa família de quatro pessoas só na ida. Nada disso é pegadinha do programa, porque a mesma quantia estaria embutida na passagem comprada em dinheiro.
E se o programa oferecer, na tela de pagamento, a opção de cobrir também a taxa com pontos? Antes de aceitar, divida o valor da taxa em reais pela quantidade de pontos pedida e compare com o que esses mesmos pontos valeriam numa emissão. A conversão usada para pagar taxas nem sempre é a mais vantajosa para o seu saldo.
O erro que mais custa caro aqui é planejar a viagem com saldo exato de milhas e nenhum dinheiro reservado para as taxas. Isso leva a pessoa a desistir do resgate na última tela ou a parcelar uma despesa pequena no cartão. Minha orientação para a maioria das pessoas é separar o valor das taxas junto com as milhas, desde o momento em que a viagem começa a ser planejada.
Como a taxa de embarque entra na conta do milheiro
Para saber quanto cada mil milhas valem numa emissão, você precisa tirar a taxa de embarque da conta, porque ela é paga de qualquer forma, com milhas ou com dinheiro. O cálculo correto compara o preço da passagem em reais sem a taxa com a quantidade de milhas pedida, e só então multiplica por mil.
Imagine, numa simulação, um voo doméstico saindo de Guarulhos por R$ 535,75 em dinheiro, já com a tarifa de R$ 35,75, ou por 16 mil milhas mais a mesma tarifa. O valor que as milhas realmente substituem é R$ 500, e o milheiro embutido fica em R$ 31,25, resultado de 500 dividido por 16.000 e multiplicado por 1.000. Quem esquece de descontar a taxa chega a R$ 33,48 e acha que a emissão rendeu mais do que rendeu.
A distorção é pequena num trecho doméstico, mas cresce no internacional, onde a parcela em dinheiro soma a tarifa brasileira e as cobranças estrangeiras. Calcular o milheiro sem separar essas taxas pode transformar uma emissão mediana numa aparente pechincha, e a comparação com a compra em dinheiro fica errada justamente na viagem mais cara.
Com o valor do milheiro em mãos, compare com a régua que explicamos em quanto vale 1000 milhas para decidir se vale gastar pontos ou pagar a passagem. Se você ainda está montando a estratégia de acúmulo e resgate, o guia geral de milhas aéreas do FlexMilhas reúne os conceitos de base.
Muita gente acha que o bom resgate é o que usa menos milhas e quase sempre se engana, porque o que importa é quanto dinheiro cada milha economizou. Por isso eu faço a mesma conta, com a taxa fora dos dois lados, antes de confirmar qualquer emissão, e recomendo o mesmo hábito a você.
Taxa de embarque em conexões e voos internacionais
Numa conexão dentro do mesmo bilhete, você paga a taxa de embarque do aeroporto de origem e não paga outra na escala. O aeroporto de conexão cobra a tarifa de conexão da companhia aérea, e não do passageiro. A própria Lei 6.009 lista os passageiros em trânsito entre os isentos da tarifa de embarque.
A história muda quando você monta a viagem com dois bilhetes separados, como um trecho doméstico emitido num programa e o internacional em outro. Cada bilhete é um contrato próprio, e o segundo começa com um novo embarque, sujeito à tarifa do aeroporto onde ele sai. Quem vai de Salvador a Guarulhos e segue ao exterior em outro bilhete paga a tarifa doméstica de Salvador e, depois, a internacional de Guarulhos.
No voo internacional, a tarifa brasileira é só o começo da parcela em dinheiro. Saindo de Guarulhos em setembro de 2026, um casal paga R$ 137,22 apenas de tarifa internacional. A volta traz as cobranças do aeroporto e dos governos do país de origem, normalmente cotadas em moeda estrangeira e convertidas pelo câmbio do dia da emissão.
É por isso que o total em reais de uma emissão internacional pode variar entre a pesquisa e a compra, mesmo sem mudança na quantidade de milhas. A forma mais segura de não ser surpreendido é simular a emissão com milhas até a tela final e anotar o total das taxas. Se passar alguns dias antes da compra, repita a simulação.
Minha orientação para quem vai ao exterior com milhas é preferir o bilhete único com conexão, quando o programa oferecer. Além de evitar uma segunda tarifa de embarque, ele mantém a viagem inteira num único contrato com a companhia. O bilhete separado só compensa quando a economia em milhas é grande o bastante para cobrir a tarifa extra e o risco de perder o segundo voo.
Quem não paga taxa de embarque
Bebês com menos de 2 anos e passageiros em trânsito são os casos de isenção que mais interessam a quem viaja a lazer. O artigo 7º da Lei 6.009, na redação dada pela Lei 14.368 de 2022, lista as situações em que a tarifa de embarque não é cobrada.
- Passageiros com menos de 2 anos. A isenção vale para o bebê que viaja no colo de um adulto, e em voos domésticos é comum que as companhias emitam o bilhete dele sem custo.
- Passageiros em trânsito. Quem apenas faz escala ou conexão no aeroporto, dentro da mesma viagem, não paga nova tarifa de embarque ali.
- Voo de retorno por motivo técnico ou meteorológico. Se a aeronave volta ao aeroporto de origem por problema técnico ou tempo ruim, o novo embarque não gera nova cobrança.
- Situações institucionais. A lei também isenta passageiros de aeronaves militares e públicas brasileiras, inspetores de aviação civil em serviço, convidados oficiais do governo e, por reciprocidade, passageiros de certas aeronaves estrangeiras.
Para dois adultos e um bebê de colo saindo de Guarulhos num voo doméstico, a conta de tarifas na ida fica em R$ 71,50, e não em R$ 107,25. No voo internacional a regra do bilhete do bebê muda, e ele pode ter custo mesmo viajando no colo, por isso vale conferir as condições da companhia antes de emitir.
A armadilha aparece quando a criança completa 2 anos entre a ida e a volta, ou quando a família planeja a viagem de volta para depois do aniversário. A partir dessa idade a isenção da tarifa deixa de valer e a criança normalmente passa a viajar com passagem própria. Isso muda o número de milhas e o total em dinheiro da emissão.
O que eu mais vejo são famílias que descobrem essa regra no balcão do aeroporto, com o bilhete da volta emitido como se o filho ainda fosse bebê de colo. Se o aniversário de 2 anos cair perto da viagem, minha orientação é confirmar com a companhia como o trecho de volta deve ser emitido antes de fechar o resgate.
A taxa de embarque é devolvida se eu não viajar?
Sim, a taxa de embarque deve ser devolvida a quem não embarcou, inclusive em passagens promocionais e em emissões com milhas. A página da Anac sobre alterações da viagem e reembolso diz que as tarifas de embarque devem ser sempre reembolsadas ao passageiro que não embarcou. A Resolução 400 também proíbe que as tarifas aeroportuárias entrem na base de cálculo das multas de cancelamento.
O prazo para o reembolso é de 7 dias, contados do pedido do passageiro, e o dinheiro volta pelo mesmo meio de pagamento usado na compra. Numa emissão com milhas, as multas previstas nas regras do programa incidem sobre a parte do transporte, e as tarifas aeroportuárias pagas no cartão precisam retornar ao passageiro.
Considere um casal que emitiu uma viagem Guarulhos e Salvador com milhas, pagou R$ 182,74 em tarifas de embarque e desistiu da viagem. Mesmo que o programa cobre uma taxa de cancelamento ou não devolva todas as milhas, os R$ 182,74 correspondem a embarques que não aconteceram e devem ser estornados. Muita gente simplesmente deixa de pedir esse dinheiro.
O cuidado está no no-show, quando o passageiro não aparece e não cancela nada. A regra da Anac vale também nesse caso, mas não conte com a devolução automática. Peça o reembolso das tarifas pelos canais da companhia ou do programa em que emitiu e guarde o número do pedido para reclamar se o prazo não for cumprido.
Na prática, o valor da taxa é pequeno demais para a maioria das pessoas correr atrás, e é exatamente por isso que ele fica esquecido com as companhias. Se fosse comigo, eu pediria o reembolso das tarifas em qualquer viagem não realizada, porque numa família o total costuma passar de cem reais e o pedido leva poucos minutos.
Perguntas frequentes sobre taxa de embarque
A taxa de embarque é cobrada na ida e na volta?
Sim, ela é cobrada a cada embarque de origem, por passageiro. Na ida você paga a tarifa do aeroporto de onde sai e na volta a do aeroporto onde embarca de novo, que pode ter outro valor.
Posso pagar a taxa de embarque com milhas?
Em regra a taxa é paga em dinheiro, no cartão, na finalização do resgate. Quando um programa oferece cobrir a taxa com pontos, calcule quantos reais cada ponto está valendo nessa troca antes de aceitar. Se o valor for menor do que o obtido numa emissão, pague a taxa em dinheiro.
Por que a taxa de embarque internacional é mais cara?
A Anac fixa tetos diferentes para embarques domésticos e internacionais em cada aeroporto, e em Guarulhos, Viracopos e Salvador o internacional custa bem mais em 2026. Na volta de um voo internacional você ainda paga as cobranças do aeroporto e do governo do país de origem.
A passagem comprada em dinheiro também inclui a taxa de embarque?
Sim, o preço de toda passagem soma o serviço de transporte, as tarifas aeroportuárias e os valores devidos a governos. A diferença é que, na compra em dinheiro, tudo aparece num total só, enquanto no resgate com milhas a taxa surge separada.
Em quanto tempo recebo a taxa de embarque de volta?
Pela regra da Anac, o reembolso deve sair em até 7 dias depois do pedido, pelo mesmo meio de pagamento da compra. Se o valor não voltar nesse prazo, registre reclamação na companhia ou no programa e, sem solução, na plataforma pública de reclamações do consumidor.
O que fazer antes da sua próxima emissão
Para a maioria dos viajantes, o melhor caminho é tratar a taxa de embarque como parte fixa do custo da viagem e reservar o dinheiro dela junto com as milhas. Na hora de avaliar o resgate, calcule o milheiro sempre com a taxa fora da conta. Essa resposta muda para quem monta viagens com bilhetes separados ou vai ao exterior. Nesses casos as taxas em dinheiro crescem e podem tornar a compra em reais mais interessante que o resgate.
O primeiro passo é abrir a simulação da sua próxima viagem, ir até a tela de pagamento e anotar o total de tarifas por passageiro, na ida e na volta. Com esse número e com a quantidade de milhas exigida, confira se o seu saldo é suficiente no guia de quantas milhas você precisa para viajar. Se faltar pouco, veja como completar a diferença com a transferência de pontos do cartão para milhas ou acumulando milhas nos próprios voos.
Este conteúdo tem caráter informativo e educacional e não substitui orientação individual sobre a sua viagem. As tarifas de embarque citadas são tetos regulados pela Anac e reajustados periodicamente. O valor cobrado e as regras de reembolso dependem do aeroporto, do programa de milhas e das condições da passagem, por isso confira tudo no fechamento da compra. Em caso de conflito, procure a companhia, a Anac ou um órgão de defesa do consumidor.

